
1. O Comitê Brasileiro de Túneis (CBT), que integra a ABMS (Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica), lamenta profundamente o acidente ocorrido nas obras da Estação Pinheiros, Linha 4 (Amarela) do Metrô de São Paulo, no dia 12 de janeiro de 2007. Em primeiro lugar e acima de qualquer outra consideração, o CBT expressa sua solidariedade a todos aqueles diretamente afetados pelas conseqüências desse acidente.
2. Ao longo da última semana, o CBT não poupou esforços para esclarecer a população e a comunidade técnica, manifestando-se por meio de inúmeras entrevistas à imprensa sobre os diferentes temas relacionados ao acidente e à engenharia de túneis em geral, concedidas por seus diretores e conselheiros.
3. Em tais esclarecimentos, o CBT evitou especulações. Limitou-se a apresentar os fatos relativos à seqüência do acidente, às características de obras subterrâneas em meios urbanos, a oferecer exemplos e lições de acidentes já ocorridos em outros países e a estabelecer comparações entre métodos construtivos. Em relação à determinação das causas do acidente, o CBT entende que esta é uma tarefa complexa e de grande responsabilidade, que exige o conhecimento de dados e informações somente disponíveis após estudo detalhado do material técnico. Ressalte-se que tal investigação está a cargo de uma comissão de técnicos especialmente designada pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) do Estado de São Paulo, a quem o CBT apóia com firmeza por acreditar na capacitação técnica e na qualificação ética de seus integrantes e da instituição.
4. Quanto às hipóteses veiculadas na imprensa de que teria sido errada a opção por uma obra subterrânea no trecho em que ocorreu o acidente, o CBT reafirma que a engenharia brasileira de túneis dispõe de tecnologias capazes de executar obras subterrâneas em quaisquer ambientes geológicos e urbanos, mesmo num trecho de geologia complexa como aquele. Provas disso são os outros túneis já construídos em geologias similares e sob o próprio Rio Pinheiros em São Paulo. Não há, portanto, nada de errado com a solução subterrânea adotada para o local.
5. É importante ressaltar, da mesma forma, que o método construtivo adotado para a Estação Pinheiros - o NATM ou método de escavação seqüencial - é normalmente aplicado a obras executadas em condições geológicas similares. Ainda como esclarecimento, vale ressaltar que a tecnologia de escavação mecanizada por meio de tuneladoras está limitada a diâmetros da ordem de 12 metros para maciços rochosos como é o caso do local do acidente. Não é possível, portanto, fazer uso dessa tecnologia na escavação de túneis com as dimensões da Estação Pinheiros.
6. O CBT reafirma mais uma vez a sua confiança na capacidade da engenharia brasileira em executar uma obra desse porte, diante de tais condições geológicas, em meio urbano. Para atestar a força de nossa engenharia basta que se recorra aos exemplos bem sucedidos de obras subterrâneas registradas no livro "Túneis do Brasil", recém-lançado pelo CBT e que apresenta os 120 principais túneis construídos no país desde meados do século XIX. O CBT solidariza-se neste momento difícil com todos os segmentos da engenharia brasileira de construção civil (projetistas, construtores, fornecedores de equipamentos, prestadores de serviços, planejadores e pesquisadores). Tal postura não significa ignorar, minimizar ou desmerecer os acidentes já ocorridos em obras subterrâneas no Brasil e no mundo, especialmente quando envolvem a perda de vidas humanas. Embora raros, eles são ricos em ensinamentos e levam à adoção de técnicas e práticas mais aprimoradas e seguras por parte da moderna engenharia de túneis.
7. Quanto à análise da modalidade contratual adotada (turn-key), o CBT acredita que se deve discutir com serenidade as diversas alternativas de relacionamento técnico entre as partes envolvidas, a exemplo do que já ocorre em vários países do mundo. O CBT entende, no entanto, ser prematuro abrir agora este debate para o caso das obras da Linha Amarela-4 antes que seja concluído e apresentado o trabalho do IPT relativo à identificação das causas do acidente.
8. O CBT-ABMS acredita por fim que o trabalho de esclarecimento responsável desse acidente deverá resultar em lições valiosas para a engenharia de túneis, gerando aprimoramentos técnicos e de segurança que vão reforçar o papel e a importância das obras subterrâneas para o país e a população brasileira.
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