O Comitê Brasileiro de Túneis comemora 28 anos de atividades neste dia 8 de novembro. Criado em 1990 para disseminar a cultura de túneis no Brasil, o CBT procurou sempre contribuir para que as soluções subterrâneas fossem levadas em conta no planejamento das cidades e das principais obras de infraestrutura do país. 

O grupo de jovens tuneleiros (Young Members) surgiu para eliminar, ou pelo menos diminuir, a lacuna de conhecimento que existe entre os engenheiros recém-formados e os profissionais experientes do mercado de túneis. “O objetivo do grupo é unir as gerações e facilitar a troca de conhecimento técnico, garantindo o progresso da Engenharia Tuneleira”, afirma Marlísio Cecílio, ex-presidente do CBT Young Members. “Infelizmente a nossa profissão não se aprende na faculdade. E mesmo a especialização não é suficiente. O conhecimento mais profundo é adquirido no dia a dia de trabalho, passado de profissional para profissional”.

Grupos de jovens tuneleiros já existiam na Austrália e na Inglaterra, mas não eram oficialmente reconhecidos pela ITA – International Tunnelling and Underground Space Association. Durante o World Tunnel Congress 2014, realizado no Brasil, a entidade oficializou a criação do Young Members como um dos grupos de trabalho da ITA, legitimando então os grupos já existentes em algumas member nations. Neste momento foi criado o Grupo de Jovens Tuneleiros no Brasil, o CBT Young Members, que já vinha sendo pensado desde o congresso anterior, no WTC 2013 de Genebra.

O primeiro desafio do grupo foi a conquista de membros. A ideia, então, foi dar início às atividades do CBT Young Members com palestras ministradas por jovens tuneleiros – que não fossem, no entanto, direcionadas apenas aos jovens ou recém-formados, com temas muito básicos. “Eram palestras ministradas por jovens, mas com temas relevantes para toda a comunidade”, explica o ex-presidente. “O tema sempre envolvia questões atuais da Engenharia Tuneleira, conteúdos relevantes que acrescentassem algo tanto para os jovens quanto para os mais experientes. Uma palestra de alto nível como as que sempre foram organizadas pelo CBT, a única diferença era que a organização e o palestrante eram jovens”.

Com auditórios sempre lotados, o Young Members começou gradativamente a conquistar novos membros, mas ainda estava bastante limitado a São Paulo.

Surgiu assim outra inciativa importante. O então presidente do Young Members foi a universidades da Região Sul do país para ministrar palestras sobre túneis para alunos dos cursos de graduação. “Como é um assunto muito pouco abordado durante a graduação em Engenharia Civil, fui falar aos jovens o que são túneis, quais as diferentes metodologias construtivas empregadas, entre outros assuntos que despertassem interesse”, conta Marlísio.

A ideia surgiu porque, quando ainda era estudante de graduação, foi uma palestra como esta que despertou o interesse de Marlísio para as obras subterrâneas. “Eu não sabia nada de túneis e o Engenheiro Leonardo Redaelli, grande tuneleiro já falecido, ministrou uma palestra sobre o assunto na faculdade onde eu estudava. Imediatamente pensei ‘é com isso que eu quero trabalhar’, e foi aí que tudo começou”, lembra.

A série de palestras na Região Sul surtiu efeitos positivos e o Young Members passou a ter força além do eixo São Paulo – Rio de Janeiro. Em um desses encontros, Marlísio conheceu Alex Nowak La Flor, hoje vice-presidente do CBT Young Members. “Vi em Alex o mesmo entusiasmo em relação aos túneis que eu tinha quando era estudante. E hoje ele está tocando o CBTYM junto com o Fernando Abreu, presidente do grupo”.

O grupo também passou a organizar visitas técnicas a obras de túneis, além de promover sorteios de livros, inscrições em eventos e outros brindes.

“Uma grande vitória do grupo foi conseguir uma sessão dedicada exclusivamente ao Young Members no 4º CBT – Congresso Brasileiro de Túneis, realizado em São Paulo em 2017”, ressalta Marlísio Cecílio. “A sessão era aberta a todo o público do evento, claro. Mas as apresentações foram feitas apenas por jovens. E a comunidade marcou presença, interessada em conhecer a produção dos jovens tuneleiros”.

O Prêmio Figueiredo Ferraz foi outra conquista do grupo, juntamente com o CBT. O objetivo é valorizar e destacar o melhor trabalho de iniciação científica ou de conclusão de curso. “É também uma forma de estimular os estudantes a optar pelo tema de escavações subterrâneas para o TCC e, assim, atraí-los para nosso setor”, destaca o ex-presidente do grupo. Confira aqui o regulamento do Prêmio

A importância dos eventos e grupos técnicos

Na palestra que teve durante a graduação, Marlísio ouviu sobre o 1º Congresso Brasileiro de Túneis, que aconteceria em São Paulo em 2004. “Embora não tivesse nenhuma publicação, participei do evento apenas como ouvinte”, lembra Cecílio. “Ali comecei a ter contato com a comunidade tuneleira. Passei a conhecer profissionais respeitados da área. Lembro-me muito bem de ter conhecido o Akira Koshima, ex-presidente do CBT e então presidente do Congresso, e o Hugo Rocha, também ex-presidente do CBT que, na ocasião, apresentou diversos trabalhos sobre a Linha 4 do Metrô de São Paulo. Aquele congresso foi demais! Uma oportunidade única de networking.”

Tendo em vista a importância daquele evento – e que resultou na participação em tantos outros – Marlísio dá uma dica àqueles que têm interesse na área: “Participem de todos os eventos, mesmo que não tenham um artigo para apresentar. Participem como ouvintes. Mas, sempre que possível, apresentem suas ideias, seus trabalhos. Assim, naturalmente será notado pela comunidade. A dedicação, claro, é fundamental. Mas é preciso também estar presente, fazer contatos. Nossa área é restrita e conhecer a comunidade é importantíssimo. Por isso a relevância de fazer parte de grupos como o Young Members, o CBT e a ABMS”.

Para Marlísio, a nova diretoria do Grupo de Jovens Tuneleiros tem uma árdua tarefa pela frente: “Estamos enfrentando um momento difícil na Engenharia brasileira. Isso influencia também a participação da comunidade nos eventos. Mas é agora que precisamos mais da atuação de grupos como o CBTYM. Temos que unir forças para enfrentar a crise!”.

Marlísio Cecílio

Graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Santa Catarina, Marlísio obteve seu Mestrado em Túneis pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. Ainda durante o Mestrado, abriu mão da bolsa de estudos que tinha para trabalhar na Figueiredo Ferraz. “Meu primeiro tutor foi o Engenheiro Pedro França, com quem aprendi muito”, lembra.

Em seguida, foi para a Bureau de Projetos, empresa em que atua até hoje. “Ali tive o meu segundo tutor, Arsenio Negro Jr, com quem ainda aprendo diariamente”.

Desde o início de sua carreira profissional, Marlísio produz artigos para congressos nacionais e internacionais e participa dos eventos. Essa participação ativa o levou a ser convidado para a criação e presidência do CBT Young Members e para integrar a Comissão Organizadora do WTC 2014.

Em 2017, participou da organização do 4º Congresso Brasileiro de Túneis, que ocorreu conjuntamente com o 9th International Symposium on Geothecnical Aspects of Underground Construction in Soft Ground, no qual atuou como vice-presidente do Simpósio e Comitê Científico.

 

Fundado em 1990, o Comitê Brasileiro de Túneis comemora neste dia 8 de novembro seus 27 anos de fundação. Reunindo acadêmicos, profissionais e empresas do setor, o CBT foi criado com o objetivo de discutir e disseminar conhecimento sobre túneis e o uso do espaço subterrâneo e difundir conceitos e aplicações de soluções subterrâneas como resposta aos desafios de infraestrutura das cidades e de outras áreas do país, privilegiando a segurança e o bem-estar da população.


Hoje, o CBT congrega 131 profissionais, 23 empresas e 124 estudantes, além dos mais de 520 Young Members – grupo de jovens tuneleiros criado em 2015.

Confira o vídeo de homenagem ao Comitê e a toda comunidade tuneleira do Brasil:


Um pouco de história


Presidentes e contribuições


O Comitê Brasileiro de Túneis é uma entidade técnico-científica ligada à Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica (ABMS). Seu primeiro presidente foi o engenheiro Sergio Fountoura, que ficou à frente da entidade de 1991 a 1994. Desde então, o  teve mais cinco presidentes, os engenheiros Argimiro Alvarez Ferreira, André Assis, Akira Koshima, Tarcísio Barreto Celestino e o geólogo Hugo Cássio Rocha, sendo atualmente liderado pelo engenheiro Werner Bilfinger.

Dois de seus ex-presidentes também ocuparam a presidência da Associação Internacional de Túneis e do Espaço Subterrâneo (ITA), que congrega profissionais de túneis em mais de 70 países: o engenheiro André Assis e o engenheiro Tarcísio B. Celestino, que preside atualmente a entidade internacional.

A presença brasileira na ITA trouxe grandes contribuições à comunidade tuneleira mundial. Em 2009, o CBT se tornou um dos fundadores da FUNDAÇÃO ITACET, Fundação para Educação e Treinamento em Túneis e Uso do Espaço Subterrâneo.


Congressos e eventos


Nesses 27 anos de história, o CBT realizou grandes eventos propostos a reunir e disseminar conhecimento à comunidade técnica.

Foram quatro Congressos Brasileiros de Túneis, que aconteceram nos anos 2004, 2008, 2012 e 2017. O último, realizado em São Paulo nos dias 3 a 5 de abril deste ano.

O CBT também já organizou dois World Tunnel Congress, evento da ITA que é considerado o maior da área de túneis e espaços subterrâneos do mundo. Os WTCs foram realizados no Brasil em 1998 e 2014. O mais recente aconteceu em Foz do Iguaçu (PR) e recebeu mais de 1.400 participantes.

Outro grande evento realizado pelo Comitê é o SIMES – Simpósio Internacional de Impermeabilização de Estruturas Subterrâneas. Sua segunda edição aconteceu em 2015 em São Paulo.

Além destes, incontáveis outros eventos técnicos como cursos, palestras, workshops, seminários e simpósios também já foram e ainda são realizados.


Conquistas


O livro Túneis do Brasil, lançado em 2006, foi outra grande realização do Comitê Brasileiro de Túneis. O objetivo foi o de contar a história da engenharia tuneleira do país. Para isso, o CBT contou com a participação de toda a comunidade de profissionais de túneis do Brasil. O livro reuniu e revelou coisas que até os especialistas desconheciam antes da publicação.

Já em 2015, o Comitê criou oficialmente o seu Grupo de Jovens Tuneleiros (CBT-YM). Focado em atingir acadêmicos, profissionais, pós-graduandos e estudantes, de até 35 anos de idade, interessados em ingressar na área tuneleira, alguns dos objetivos do grupo são: divulgar a utilização do espaço subterrâneo e as atividades da indústria de túneis para as novas gerações e possibilitar o desenvolvimento profissional e a elevação do conhecimento de seus integrantes. O grupo é liderado atualmente pelo engenheiro Fernando Abreu e conta, hoje, com 523 young members.


Prêmio José Carlos de Figueiredo Ferraz


Além de atuar para promover a troca de conhecimentos e fortalecer a cultura tuneleira no país, o Comitê Brasileiro de Túneis também se preocupa em destacar os bons trabalhos realizados na área.

Por isso, o CBT divulga a segunda edição do Prêmio Figueiredo Ferraz, criado em 2017. A premiação tem como objetivo incentivar a produção de trabalhos de graduação nas áreas de projeto e construção, operação, manutenção e reforço de túneis, obras subterrâneas e planejamento do espaço subterrâneo, para as várias disciplinas que envolvem a prática das estruturas subterrâneas.

As inscrições estão abertas e vão até 15 de janeiro de 2018. Saiba mais aqui!


Homenagem


O Comitê Brasileiro de Túneis sabe que seu sucesso se deve, principalmente, ao trabalho árduo dos profissionais que acreditam na proposta da entidade. Sem a confiança desses membros, os 27 anos do Comitê não estariam repletos de grandes realizações e contribuições para a sociedade.

Por isso, o CBT presta seus cumprimentos a todos os profissionais que acreditam nas soluções subterrâneas e levam à frente as ideias da comunidade tuneleira.