• 03 Abril 2017
  • CBT
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Saídas para o resgate da engenharia do país passa por planejamento, valorização de projeto e novas práticas contratuais Destaque

Desde a manhã de segunda- feira, dia 3, São Paulo é palco da discussão sobre o futuro da engenharia brasileira e das obras subterrâneas pós - crise, num dos maiores eventos da engenharia subterrânea da América Latina: o 4º CBT – Congresso Brasileiro de Túneis e que vai até o dia 5, quarta, no Centro de Exposições Rebouças. Com a presença de centenas de engenheiros, geólogos, especialistas, professores, técnicos do setor, brasileiros e estrangeiros, o evento  mobiliza não só pelo seu aspecto técnico e científico, mas principalmente por trazer para a pauta soluções para recuperação da credibilidade da engenharia e da infraestrutura, hoje mergulhadas na crise econômica e protagonistas de denúncias que estagnaram os investimentos no setor.  

Na abertura, o presidente da  ITA – Internacional Tunneling Association, a mais importante entidade   do setor no mundo, Tarcísio B. Celestino, alertou para o fato de que “não é porque o Brasil teve problemas  e parou de comer carne que toda a população vai  simplesmente parar de se alimentar. Assim como  as obras de infraestrutura não podem parar porque existem investigações em curso,  por mais prioritárias que  sejam estas  investigações sejam – como de fato são. O país não pode simplesmente estagnar sua infraestrutura por tempo indeterminado. O prejuízo de obra parada, especialmente as subterrâneas, podem ser irrecuperáveis.”

As oportunidades  existem  e dependem obviamente de políticas corretas de desenvolvimento que o país precisa adotar . Cito um exemplo: a duplicação da Rodovia Regis Bittencourt  que começou na década de 70, portanto há 40 anos e até hoje não se concluiu porque tomou-se a decisão errada de fazer toda a duplicação em superfície”

 

Falta de investimento e valorização de projetos

O professor titular da Universidade de Brasília e ex- presidente do CBT e da ABMS, eng. André Pacheco de Assis, ao ministrar a palestra de abertura do congresso foi contundente ao afirmar que um dos principais problemas a contribuir para que a corrupção ocupasse  o âmago da engenharia brasileira,  está na falta de investimento e valorização dos projetos. Ao mesmo tempo, permite que o agente público, grande contratante e  hoje totalmente partidarizado, trabalhe  sem planejamento,  corpo técnico qualificado e crie  falhas nas licitações  para facilitar os “ajustes” de contrato. 

Para o professor, só existirá luz no fim do túnel se houver uma real evolução  nas especificações e mudanças significativas  nas diretrizes de contratação e operação  das obras. “Questionar e repensar isso tudo, talvez seja uma das maiores contribuições desta edição do Congresso Brasileiro de Túneis. Rever as necessidades de planejamento e gestão, discutir a visão estratégica da infraestrutura por parte do estado, a importância de projetos bem elaborados para minimizar as incertezas e as margens para a corrupção, a prioridade da gestão de risco adequada em obras subterrâneas, a real avaliação dos riscos de  acidentes de engenharia e sua ligação com licitações mal feitas e redução de custos, e tantas urgências da nossa realidade atual.” 

Uma mesa redonda também  coordenada pelo professor André Pacheco de Assis, aprofundou a discussão com a presença  de expoentes da engenharia Brasileira como  o geólogo  Álvaro Rodrigues dos Santos , ex diretor do IPT, Argimiro Alvarez Ferreira, da diretoria técnica  do Metrô de São Paulo ,  professor  e presidente da Ita Tarcisio B Celestino e Dante Venturini de Barros, atual diretor de Engenharia e Infraestrutura da Odebrecht.

Entre outras diretrizes sugeridas está a reavaliação da lei de licitações 8666, que estabelece normas gerais sobre licitações e contratos administrativos pertinentes a obras e serviços. ”Temos que sair da zona de conforto, do casulo e  informar de maneira clara  que não é apenas o tipo de contrato que garante o sucesso ou insucesso das obras. É muito , mas muito mais que isso, diz Álvaro Rodrigues dos Santos.” Caso contrário, diz o geólogo,  vamos continuar a sofrer as consequências de uma política que  não fizemos. E se não fizermos outros farão novamente”

O congresso teve ainda na mesa de abertura, a presença do Diretor de Engenharia e Construção do Metrô de São Paulo,  Paulo Meca, o diretor executivo do DNIT   Halpher Luigi, o Secretário Estadual dos Transportes Clodoaldo Pelissione , do presidente  da ITA Tarcisio B Celestino, do presidente do CBT – Comitê Brasileiro de Túneis  Werner Bilfinger, do presidente  da ABMS – Associação Brasileira de Mecânica de Solos  Alessander Kormann e Hugo Cássio Rocha,  presidente da comissão organizadora do 4º CBT .

 

4ºCongresso Brasileiro de Túneis e Estruturas Subterrâneas

Seminário Internacional Latin American Tunneling Lat 2017

9thInternational  Symposium on Geothecnical Aspects of Underground Construction in Soft Ground- TC-204 ISSMGE

Data: 3 a 5 de abril de 2017

Local: Centro de Convenções Rebouças

Endereço: Av. Rebouças, 600. (Entrada para pedestres pela Av. Dr Enéas de Carvalho Aguiar, 23)